Cadernos de Geografia
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06
Out 11

Cristãos são os mais perseguidos no mundo

Leonardo Meira

Da Redação

 

Montagem sobre fotos / Arquivo




 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 




Manifestantes pedem fim da morte de cristãos
inocentes. Mapa indica os países do globo em que perseguição é mais agressiva

Os cristãos são o grupo religioso mais
discriminado no mundo e o que mais sofre com a recorrente violação do direito à
liberdade religiosa e de crença.



"Mais de 200 milhões desses, pertencentes a confissões diversas,
encontram-se em situações de dificuldade, devido às estruturas legais e
culturais que lhes discriminam", disse o secretário do Pontifício
Conselho Justiça e Paz
, Dom Mario Toso, na
qualidade de líder da Delegação da Santa Sé, durante a Conferência de Alto Nível sobre
Tolerância e Não Discriminação
,
promovida pela Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) em Astana, no Cazaquistão, entre os dias 29 e 30 de junho desse ano.



Durante o recente encontro com a Cúria Romana para
apresentar votos de Feliz Natal
, o Papa
também foi enfático ao abordar o problema: "Na situação atual, os cristãos
são a minoria mais oprimida e atormentada", ressaltou.



Segundo dados da agência missionária de notícias Fides, vinculada à Congregação
para a Evangelização dos Povos
, cerca de
75% das perseguições registradas por motivos religiosos têm como alvo os
cristãos.



As motivações para a perseguição são as mais diversas e variam de país para
país. Naqueles onde a maioria religiosa é pertencente a outro credo, comumente
o islamismo, o ódio religioso é a causa mais acentuada, como nos casos do
Iraque e Paquistão, por exemplo. Já as razões políticas estão presentes
especialmente em países que adotam regimes esquerdistas, como a China e a
Coreia do Norte, onde as comunidades cristãs já foram praticamente extintas.



"Na Coreia do Norte, podemos falar de um dos casos mais extremos de
extermínio da comunidade cristã. Neste momento, a Igreja não tem clero, a prática
do culto é impossível e a comunidade católica não excede 200 fiéis",
segundo dados da agência AsiaNews, especializada nessa área do mundo.



Na próxima semana, confira uma
reportagem especial sobre o que a Doutrina da Igreja ensina sobre liberdade religiosa
.



Leia outras reportagens da série

.: Liberdade
religiosa continua sendo violada no mundo






Cenário mundial



Os dados
da última edição do Relatório sobre a Liberdade Religiosa no Mundo
 – elaborado pela Associação
Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) – elencam ao menos 21 países com "graves restrições e/ou muitos
episódios de intolerância social ou legal relativamente à religião: Arábia
Saudita, Bangladesh, China, Coreia do Norte, Cuba, Egito, Eritreia, Iêmen,
Índia, Irã, Iraque, Laos, Maldivas, Myanmar (antiga Birmânia), Nigéria,
Paquistão, Somália, Sudão, Uzbequistão e Vietnã".



Nas Américas, os problemas estão mais focados no embate político
entre iniciativas governamentais/estatais e as demandas da hierarquia católica,
pois há cada vez mais iniciativas que não reconhecem as ligações
histórico-culturais entre o catolicismo e a maioria das nações da região. Aí
entram as estratégias para legalizar amplamente o aborto e reconhecer
legalmente a união civil entre casais do mesmo sexo, por exemplo. Também há o
problema do assassinato de muitos padres católicos, especialmente no Brasil e
na Colômbia, embora também haja episódios registrados no México e outros
países.



Na África há dois cenários distintos. No Norte e
Oriente Médio
, o grupo de países com maioria muçulmana apresenta problemas,
motivados especialmente por políticas, legislações e mentalidade hostis
generalizadas entre a maioria dos habitantes. Nesse sentido, os cidadãos plenos
de direitos são aqueles que professam a religião dominante. Já as minorias, na
melhor das hipóteses, são toleradas ou consideradas um perigo para a
estabilidade social. Iraque, Irã, Arábia Saudita e Iêmen são os países em que o
cenário de restrição da liberdade religiosa é mais preocupante. Enquanto
isso, no Centro e no Sul, com raras exceções, a situação não
apresenta problemas particulares. A maioria dos conflitos que geram situações
trágicas surge devido a causas econômicas, morais e políticas.



Na Ásia, as diferentes condições religiosas, políticas e étnicas
também produzem contextos distintos. Na região Oriental,além da
proximidade física, os países também partilham da mesma base ideológica. A
liberdade religiosa limitada acontece não devido à maioria religiosa
intolerante, mas porque todos são regimes inspirados na escola de pensamento
comunista, como, por exemplo, China, Laos, Mianmar e a República Popular
Democrática da Coreia. Já o Centro e o Sul apresentam
problemas com diferentes graus de variedade, tanto no que diz respeito à
liberdade religiosa quanto aos direitos humanos, como é o caso do Uzbequistão,
Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão e Turcomenistão. Os países da região que
apresentam com mais intensidade uma crescente violência com base religiosa e
étnica são Bangladesh, Paquistão e Índia.



Na Europa, mais propriamente na região Ocidental,há
situações semelhantes que derivam de problemas causados pela imigração islâmica
e, também, da mentalidade secularista que se manifesta através de atitudes
anticristãs, provenientes até mesmo de instituições europeias. Podem ser
destacados os recentes casos da Espanha – o secularismo agressivo resulta em
leis que questionam a presença de símbolos religiosos em locais e edifícios
públicos, e há também as polêmicas aulas de "Educação para a Cidadania",
a Lei dos Cultos e a sobre objeção de consciência –, Bélgica – incluindo buscas
na sede da Conferência Episcopal – e Itália – uma sentença da Corte Europeia
dos Direitos Humanos proibiu a exibição de crucifixos na sala de aula, mas o
governo italiano recorreu. Por outro lado, o cenário de secularismo tem se
abrandado na França, a situação é tranquila e melhora na Hungria, Grécia e
Rússia

 

 

 

 

 

 

Índios perseguidos e mortos no Sul da Colômbia

 

Um
grupo de dez elementos da etnia awá que estavam em fuga depois da precedente
chacina foram perseguidos, sequestrados e mortos, disse o governador do
departamento de Nariño, Antonio Navarro Wolf, aos jornalistas, informado dos
factos por naturais do lugar. 



O
presidente da Organização Nacional Indígena da Colômbia (ONIC), Luis Evelies,
coincidiu nas informações e no número de vítimas. 



A chacina
foi quarta-feira ao nascer do dia na localidade de Guangarial, municipalidade
de Ricaurte. Ocorreu numa casa já referenciada, cujo proprietário é conhecido.
A ONIC apontou o dedo às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC),
muito activas na região. 



O
ministro da Defesa, Juan Manuel Santos, a caminho de Pasto, a sede
administrativa da zona, disse aos jornalistas que aparentemente os índios foram
mortos “por não terem avisado as FARC da presença de soldados na zona”. A
guerrilha não fez qualquer comentário. 



Foi o
segundo massacre desde o dia 4 de Fevereiro, tragédia de que os rebeldes foram
também acusados. Dezassete indígenas igualmente da etnia awá foram torturados e
mortos com armas brancas num lugar recuado de Nariño. O motivo terá sido o
mesmo: alegada cumplicidade com as forças armadas. 



A
Colômbia é um dos países da América Latina onde as comunidades indígenas estão
mais desprotegidas. O único diploma internacional de relevo que Bogotá assinou
foi o Convénio 169 da Organização Internacional do Trabalho, que garante os
direitos territoriais, sociais, culturais e económicos das comunidades
originárias, uma regulamentação que é acusada de não cumprir. Mas o país não é
signatário da Declaração das Nações Unidas sobre Povos Indígenas, que limita as
operações militares nas áreas aborígenes. 



Entre os
44,6 milhões de habitantes do país, 1,6 são indígenas, apanhados no fogo da
guerra às FARC. O conflito mata um nativo em cada 53 horas. Se tivesse aderido
ao diploma, Bogotá teria de suspender as operações ou pelo menos de falar com
as tribos. Foi este um dos contextos da revolta indígena de há quatro meses. 

 

Milanka

publicado por Mäyjo às 17:37
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